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Raiz da Obesidade Tem Que Ser Cortada Desde Cedo

A obesidade está relacionada, na maioria dos casos, pelo consumo excessivo de alimentos com redução de atividade física, sendo menos de 5% provocada por distúrbios endocrinológicos ou neurológicos.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, o número de crianças obesas tem aumentado cada vez mais. Enquanto nos anos 80 apenas 3% das crianças eram obesas, hoje este número subiu para 15%.
Para o médico endocrinologista Filippo Pedrinola, este é um dado que preocupa, uma vez que pesquisas mostram que em cada 10 crianças obesas, 8 se tornam adultos obesos. Isto ocorre por ser durante a infância e a adolescência que os hábitos alimentares – que serão seguidos futuramente e que influenciarão diretamente a saúde do adulto – são formados.

 

“Por isso é extremamente importante que neste período a criança seja realmente educada quanto a uma nutrição adequada e balanceada”, declara ele.


“A obesidade na infância está associada ao maior risco de desenvolvimento precocemente de doenças crônicas não transmissíveis, como dislipidemias, hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e problemas ortopédicos. Estudos também apontem que crianças e adolescentes obesas têm maior risco de se manterem obesos na vida adulta. Assim, é essencial prevenir a obesidade já na infância”, declara Filippo, lembrando que um dos fatores determinantes da obesidade infantil é a presença de hábitos e comportamentos alimentares inadequados.

 

COLESTEROL
Uma alimentação rica em gorduras saturadas e falta de atividade física são os principais fatores que têm feito crescer o número de crianças e jovens com colesterol alto (hipoercolesterolemia).
“Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, o problema afeta, pelo menos, 20% da população entre 2ª 19 anos – com estudos chegando a apontar 30%. Uma pequena parte tem a alteração em função de herança genética (hipercolesterolemia família), mas na imensa maioria dos casos é um problema adquirido em razão do estilo de vida. Trata-se de uma legião de futuros adultos que estão precocemente expostos a doenças cardiovasculares, como infarto, derrame, e insuficiência cardíaca”, pondera o médico.
Em crianças e adolescentes, já é considerado alto um nível de colesterol LDL (o chamado colesterol “ruim”) acima de 130mg/dl. Isto, porém, causa preocupação maior quando atinge patamares acima de 190mg/dl ou de 160mg/dl quando associado a outros fatores de risco como tabagismo, pressão alta, diabetes obesidade. “Na diretriz de Prevenção da Ateroesclerose na Infância e adolescência, a Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda-se dosar o colesterol a partir dos 10 anos”, destaca Pedrinola.

 

MEDICAMENTOS
Uma vez detectado o problema, o tratamento dependerá do nível de alteração do colesterol, da presença de outros fatores de risco e da história familiar.
Nos casos mais graves, os médicos podem recorrer a medicamentos como as estatinas, que podem ser ministradas a partir dos 10 anos de idade, salienta Filippo.
“Mas seja qual for o caso, diagnóstico e tratamento precoces do colesterol alto são fundamentais para evitar doenças mais graves na vida adulta. Por isso, é imprescindível que as famílias se conscientizem: é desde a infância que o colesterol precisa ser controlado”, diz ele.
A obesidade pode ser desencadeada já no primeiro ano de vida da criança, principalmente se ela tiver contato precoce com outros alimentos além do leite materno ou se a introdução da alimentação complementar ocorrer de modo inadequado.
“Para prevenir, deve-se promover sempre a manutenção do aleitamento materno, evitando complementar com leite de vaca, fórmulas infantis ou introdução precoce de outros alimentos. Durante a fase de introdução da alimentação complementar, por volta do sexto mês, a criança está vulnerável a vários erros alimentares. Cuidados especiais são necessários para se oferecer alimentos na consistência e qualidade apropriadas para a idade”, complementa Filippo.

 

A MÃE PROVÊ
Segundo o médico, vale lembrar que o primeiro ambiente saudável para o bebê é a mãe.
“Engordar muito durante a gestação pode ser pior para o bebê do que já ser uma mulher obesa que inicia uma gestação. A mulher que ganha muito durante a gestação, provavelmente passa algum neuro hormônio (que não conhecemos ainda), o que sinaliza para o hipotálamo da criança que deve armazenar gordura”, afirma ele.
Para o especialista, mulheres diabéticas também são um fato de risco para obesidade infantil e para o desenvolvimento de diabetes na idade adulta.
“A hipoglicemia da mãe pode estimular muito o pâncreas da criança a secretar maiores quantidades de insulina, o que promove maior formação de células adiposas”, encerra.

 

Matériapublicada no site A Crítica - Por: educacaofisica.com.br

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